Grávidas espanholas torcem para dar à luz antes do fim do anoPara conter o déficit, o governo espanhol cortou o auxílio-maternidade de 5.551 reaisAs espanholas que estão no fim da gravidez estão torcendo para dar à luz no dia 1º de janeiro de 2011. O motivo é que a partir da meia-noite do ano novo as famílias dos recém-nascidos deixarão de receber o chamado “cheque-bebê”, um auxílio de 2.500 euros, cerca de 5551 reais, que o governo espanhol vinha dando desde 2007 numa tentativa de aumentar a taxa de natalidade.
Fina Iñiguez, correspondente da RFI em MadriO governo de Zapatero anunciou o corte do "cheque-bebê" em maio deste ano, para diminuir o déficit público do país. Também está prevista a redução de 5% cento nos salários dos funcionários públicos, o aumento da idade da aposentadoria dos 65 anos atuais aos 67 anos e a suspensão da ajuda de 426 euros para quem está sem trabalho e não recebe o seguro-desemprego.De acordo com o Instituto Nacional de Estatística da Espanha (INE), o parto de cerca de 44 mil mulheres está previsto para os dias 25 de dezembro e 6 de janeiro. As grávidas mais impacientes são as que estão entre a 37ª e a 41ª semana de gestação, período considerado normal para o nascimento de uma criança. O site espanhol Serpadres publicou uma pesquisa mostrando que o 35% das 77 mulheres entrevistadas reconheceram ter consultado o ginecologista sobre a possibilidade de adiantar o parto e "estavam pensando no assunto".Somente 5% das entrevistadas rejeitaram categoricamente a possibilidade, preferindo seguir à risca a recomendaçao médica. Fontes do serviço de obstetrícia e ginecologia do Hospital Quirón de Málaga, na Andaluzia, por exemplo, afirmam que muitas mulheres têm questionado sobre como adiantar o parto para poder beneficiar do auxílio. As mesmas fontes, entretanto, se negam a programar cesarianas que não estejam previamente marcadas, nem adiantar partos sem aconselhamento médico.O maior hospital público de Barcelona, o Vall d’Hebrón, também afirma que o código de ética da profissão impede que critérios médicos sejam modificados por interesses pessoais dos pacientes. Outra questão é saber se, a cesariana for a única solução, o parto pode ser programado com antecedência e mudado para antes do dia 1º de janeiro, como reconhece uma ginecologista entrevistada pela RFI. Ela contou que uma cesariana marcada para o 3 de janeiro foi antecipada para antes do dia 31 de dezembro, atendendo ao pedido de uma paciente, já que, do ponto de vista clínico, não haveria nenhuma diferença.Em tempos de globalização e internet, não faltam dicas nas redes sociais sobre “como adiantar o parto”: caminhar, dirigir, ter relações sexuais na última semana da gravidez e até mesmo tomar chocolate quente.
As regiões de Andaluzia, Madri e Catalunha são as que mais se beneficiaram do cheque-bebê, e onde há um maior número de nascimentos e adoções no país.Em Salamanca, o benefício é localNa zona oeste da província de Salamanca, próxima a Portugal, algumas prefeituras continuam dando cheques-bebês de até 3 mil euros por nascimento, numa tentativa de estimular a natalidade. É o caso de Aldeadávila de la Ribera, uma das cidades mais despovoadas da Europa. O prefeito, Santiago Hernández, 46 anos, do mesmo partido socialista (PSOE) que o governo espanhol, confirmou à Radio França Internacional, que nao tem a menor intenção de acabar com o auxílio: “numa cidade com apenas 1.400 habitantes, a maioria idosa, o cheque-bebê é fundamental”, diz o prefeito.Ele afirma que, embora não possa garantir que essa ajuda estimule a natalidade, a verdade é que o número de nascimentos vem aumentando desde 2006: ano em que não houve nenhum registro de nascimento em Aldeadávila e entrou em vigor o cheque-bebê. Desde então, nasceram cerca de 15 crianças. “Ninguém vai formar família devido a este subsídio, mas uma ajuda nunca vai mal ", conclui o prefeito.
RFI
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