sexta-feira, 31 de maio de 2013

Dom, o nome perdido da partilha.

A economia precisa da moeda como meio de mediação entre os participantes de uma troca. Diferente é a dinâmica do dom, em que a reciprocidade abre espaço para possível e inéditas relações sociais.

A opinião é do filósofo francês Jean-Luc Marion, immortel da Academia Francesa. O artigo foi publicado no jornal Il Manifesto, 30-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A economia que, literalmente, significa "a lei que reina em casa", é interpretada como troca econômica. Mas esta última deve ser considerada como um aspecto da economia que pode ser discutido, e não como sinônimo de economia. O que, dentro da economia, pode se contrapôr à troca? Não a abolição do sistema de mercado, não a oposição do capitalismo ao socialismo, mas sim o dom. Quando se opõe o dom à troca, aparentemente se vai contra a definição mais célebre de troca, formulada por Marcel Mauss nos anos 1920, e na qual se baseia a maioria dos estudos sobre o dom.

Segundo Mauss, o dom é um caso particular de troca, isto é, uma troca gratuita. Se olharmos para a história de certos grupos étnicos que permaneceram alheios à revolução econômica, encontramos um sistema de troca em que uma tribo que encontra outra faz-lhe uma doação em sinal de benevolência, forçando, assim, a outra tribo, para manter a paz, a uma troca recíproca, que é igual à anterior +1.

Em nome de Mauss

Graças à troca gratuita, mas que inclui uma lógica de reciprocidade, a paz é mantida. É o sistema do dom de potlatch. O dom, de fato, é uma troca, sem a mediação da moeda. Poder-se-á dizer que há trocas gratuitas, o dom, e trocas não gratuitas, o comércio, mediado pelo valor de troca e pela moeda. Eu gostaria de mostrar que não é assim: a gratuidade e o dom não são um caso particular da troca; a lógica do dom é irredutível à lógica da troca e do comércio.

Para estabelecer esse ponto, é preciso entender que há também uma dificuldade do dom, destacada por Jacques Derrida, que, para reforçar a redução do dom à gratuidade por parte de Marcel Mauss, dizia que o dom é sempre uma ilusão, e que a realidade do dom é sempre implicitamente a lógica da troca. Se eu faço uma doação a alguém, ele me deve algo, mesmo que eu não lhe peça nada. Em uma troca econômica, é muito claro que eu devo alguma coisa. No dom, aparentemente, eu não tenho mais nada a fazer.

Na verdade, aquele a quem a doação foi feita, mesmo que lhe tenha sido feito por nada, deve algo, ao menos o reconhecimento do qual tentará se livrar fazendo uma contra-doação um dia. Se ele não der nada em troca, será considerado por todos como um ingrato, perderá a reputação de homem generoso, porque foi-lhe feito um presente que ele não vai restituir. Ele parecerá um homem consumido pela ingratidão, pela avareza, se sentirá culpado.

Aquele que recebe, portanto, deverá pagar, em termos reais ou simbólicos. Quem entra no déficit simbólico, pagará com juros. O dom é sempre suspeito, não só de hipocrisia, mas continua implicitamente em uma troca ainda mais radical ser for feita de modo subterrâneo e talvez mórbido. O dom é sempre apenas uma troca silenciosa – e, de fato, nem tão silenciosa. Essa é uma forma para conservar a posição de Mauss.

É possível ter um dom, embora reduzindo o seu beneficiário, o donatário. É uma experiência que fazemos frequentemente – dar não sabendo a quem damos – por exemplo às ONGs: é precisamente porque não sabemos a quem damos que podemos dar de modo eficaz. O desaparecimento do donatário não impede o dom. Tentemos ser cínicos: às vezes, preferimos não ter que nos ocupar com o fim da distribuição, que deixamos a profissionais.

O anonimato do donatário pode ser uma solução cômoda. Mas há dons mais dignos de admiração que se baseiam no desaparecimento do donatário. Quando damos a alguém que não nos pediu nada ou de quem sabemos que conservará a sua ingratidão e a sua incapacidade de nos agradecer, quando sabemos que nos deixaremos criticar por ter feito uma doação e a fazemos mesmo assim: nessas situações, o nosso presente se torna ainda mais claro.

Mas também se pode fazer uma doação sem que ninguém a dê e sem que apareça como um dom. O exemplo mais evidente da doação que ninguém dá é aquela feita por quem morreu. O morto dá no momento em que ninguém dá: é a questão da herança. Torna-se o protótipo do dom anônimo. Como no romance em que o Capitão Nemo faz aos náufragos da ilha misterioso a doação da qual eles têm uma necessidade vital; ou nos romances populares, em que um misterioso doador se esconde e vela sobre a salvação da pobre órfã. O melhor doador é o doador ausente. No caso da herança, é necessário que o doador esteja ausente para que ela ocorra; aqui, a ausência é a própria condição do dom; e não haverá troca, porque não haverá um retorno à vida do doador.

A herança é um dom perfeitamente injusto: pode ocorrer com alguém que não precisa dela, ou com alguém que o falecido detestava, ou vice-versa. Ela não está ligada aos juros, não tem interesse em todos os sentidos do termo. Vem à mente a imagem bíblica de Deus, que dispensa os seus benefícios tanto sobre o mau quanto sobre o bom. Em outras palavras, o dom não está ligado ao interesse, e uma das formas do desinteresse é que não há doador. Esse é o motivo pelo qual os antigos diziam que os deuses não sentem inveja, fórmula retomada pelos primeiros cristãos: Deus dá sem inveja, sem fazer cálculos, em perda. De fato, o doador deve desaparecer, no sentido de que ele dá sempre em perda, e quanto mais ele dá em perda, mais o seu dom é dom.

Chegamos à terceira redução. Santo Agostinho, para explicá-la, faz a hipótese de uma mulher que recebe do seu futuro esposo um anel e diz: "Obrigado, vou guardar a joia e não nos casaremos". Pensando assim, ela se comporta como se o jovem a tivesse dado o anel e nada mais; mas não é assim que o jovem pensava: ele pensava que, colocando-lhe o anel no dedo, ele teria se dado a ele e, reciprocamente, ela a ele. Embora a joia tenha um valor, o que constitui o seu valor profundo é o que procede com a pessoa amado.

Na maior parte das doações que fazemos, o que doamos efetivamente nunca é o que constitui o dom, mas sim o que "procede com". Quando você quer agradar alguém, você lhe dá algo, mas o presente é somente o porta-voz, o acessório do carinho que, assim, você o testemunha. E quanto mais o que se dá for importante, mais o dom deve ser irreal, irrealizado e simbólico.

Pensemos em quando tomamos posse de um imóvel ou de uma empresa que se adquiriu. Para fazer isso, vai-se a um cartório, e assinam-se documentos. Mas a tomada de posse não tem nenhuma relação com a efetividade do que se está por possuir. Quando é eleito, o presidente dos Estados Unidos recebe os códigos nucleares, mas não algo como "o poder", que permanece invisível. O que se dá nunca é proporcional ao que acompanha o dom. Quanto mais o dom é considerável, mais se torna imaterial.

Quando há pessoas que morrem de fome, e nós lhe damos de comer, de beber, um abrigo, certamente doamos algo, mas é a vida que doamos, além do pão, da água e das cobertas. Não doamos medicamentos, mas sim a possibilidade de sobreviver a uma doença; não produtos agrícolas, mas sim a possibilidade de comer; em suma, a vida. Doa-se a vida doando outra coisa junto com ela, e essa outra coisa não teria nenhum valor se não tivéssemos necessidade dela para permanecer com vida.

Quando você doa o seu tempo, a sua vida, o seu amor, em sentido estrito, não doa nada. Realiza um gesto ou outro, mas os gestos não são objetos. Você doa o que não é uma coisa, porque a diferença entre a vida e a morte não é real, o morto é tão real quanto o vivo. O tempo que você doa não é real; ao invés, é a única coisa que o dinheiro não pode comprar. Com o tempo, faz-se dinheiro, mas com o dinheiro ninguém nunca comprou tempo. Portanto, quando se perde o próprio tempo para fazer dinheiro, de fato, não se tem a certeza de ganhar algo em troca. Quanto mais o que você doa é essencial, menos é real. Dizer que quanto mais o dom é fundamental, menos é real, significa dizer a verdade. São apenas os dons de pouquíssimos valor que são reais, como oferecer um cigarro a alguém na rua.

O contrato erótico

A questão do dom é realmente paradoxal, já que não precisa dos termos da troca para parecer como um dom; ao contrário, parece como tal apenas se se abre mão de termos da troca. O que se produz no dom? Produz-se uma lógica do avanço – em sentido econômico – que eu chamei em outro lugar de lógica da experiência erótica.

Na experiência erótica, de fato, também se pode pensar segundo a lógica da economia e da troca, seguindo o princípio: "Eu amo você somente se você começou a me amar. Eu vou amar você somente em troca do primeiro investimento que você tiver feito para me amar. E não espere ser o primeiro a jogar as minhas cartas". É uma interpretação econômica do amor. Mas há uma outra: a interpretação erótica do amor. Nesse caso, trata-se de dar sem esperar a troca em resposta, até mesmo sem esperá-la, nem desejá-la. É o que faz a grandeza de Deus, quando cria coisas que não estão em condições de amá-lo, porque ainda não existem; ou o fascínio de Don Juan que diz a uma mulher: "Você é linda, eu te amo", e que, de repente, faz com que ela se torne linda.

Quem é o primeiro a amar assume o risco da ausência de reciprocidade, essa é a lógica do dom. Ele cria as condições eventuais da resposta, mas não é orientado pela possibilidade da troca e da resposta. Ele tem um poder criador, como não acontece com a troca. A troca visa à justiça, à reciprocidade e se concilia com o crescimento ou com o interesse do reembolso da dívida. A troca segue a igualdade em sentido matemático e político. O que é próprio do dom, ao invés, é estar sempre no princípio da antecipação sem resposta, portanto, na lógica do crescimento.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517404-dom-o-nome-perdido-da-partilha-artigo-de-jean-luc-marion

sexta-feira, 8 de março de 2013

Tatuagens – são erradas?

Opinião do Logos: Tatuagens – são erradas?

“Não vos deveis fazer cortes na carne em prol duma alma falecida e não deveis fazer tatuagem em vós. Eu sou Deus.” 
  Levítico 19,28
 
“Algumas tatuagens são ‘legais’. São bem artísticas.” — Jalene.
“Já fazia dois anos que eu sonhava com a minha primeira tatuagem.” — Michelle.
TATUAGENS estão em toda parte — pelo menos é o que parece. Astros da música rock, atletas ou modelos famosos e artistas de cinema as exibem sem a menor cerimônia. Muitos adolescentes seguem o mesmo caminho, exibindo orgulhosamente tatuagens no ombro, na mão, na cintura e no tornozelo. Andrew argumenta: “As tatuagens são ‘legais’. Fazer ou não fazer . . . você é quem decide.”
A Enciclopédia Delta Universal explica: “Tatuagem é a prática de pintar desenhos que permanecem no corpo humano. Faz-se a tatuagem perfurando na pele pequenos e profundos furos que são enchidos com uma substância corante.”
Embora seja difícil obter uma estatística exata, estima-se que 25% dos jovens entre 15 e 25 anos nos Estados Unidos têm uma tatuagem. Sandy explica: “Virou moda.” Por que alguns jovens gostam tanto de tatuagens?
Por que é tão comum?
Alguns acham que com uma tatuagem dá para fazer uma grande declaração de amor. Michelle comenta: “Meu irmão tem o nome de uma garota tatuado no tornozelo.” O problema? “Eles não estão mais namorando.” Segundo a revista Teen, “os médicos calculam que mais de 30% de todas as  tatuagens retiradas são de adolescentes que não querem mais o nome do ex-namorado no corpo”.
Outros jovens acham que as tatuagens são obras de arte. Ainda outros vêem-nas como símbolo de independência. “Eu é que mando na minha vida”, declarou Josie, e acrescentou que fazer uma tatuagem foi ‘a única decisão importante que fez na vida’. A tatuagem permite aos jovens experimentar algo novo — sentir que têm o controle sobre sua aparência. Também serve como símbolo de rebelião ou de estilos de vida alternativos. Algumas tatuagens contêm palavrões e obscenidades ou lemas provocativos.
A maioria dos jovens, no entanto, talvez tenha apenas aderido à moda. Mas só porque todo mundo está fazendo uma, será que você deveria fazer também?
A antiga arte de tatuar
As tatuagens não são de forma alguma algo moderno. Foram encontradas múmias egípcias e líbias, que remontam a centenas de anos antes de Cristo, com tatuagens em seu corpo. Encontraram-se também múmias tatuadas na América do Sul. Muitas das figuras tatuadas estavam diretamente relacionadas com a adoração de deuses pagãos. Segundo o pesquisador Steve Gilbert, “a mais antiga tatuagem de que se tem registro — algo mais do que uma figura abstrata — é a do deus Bes. Na mitologia egípcia, Bes é o deus lascivo das festanças”.
Significativamente, a Lei mosaica proibia o povo de Deus de se tatuar. Levítico 19,28 relata: “Não vos deveis fazer cortes na carne em prol duma alma falecida e não deveis fazer tatuagem em vós. Eu sou Deus.” Adoradores pagãos, como os egípcios, tatuavam nomes ou símbolos de suas deidades no peito ou no braço. Por aderirem aos preceitos de Deus de não fazer tatuagens, os israelitas se distinguiriam das outras nações. — Deuteronômio 14,1-2.
O veto a tatuagens ainda é sério e dá o que pensar, apesar de os cristãos hoje não estarem mais debaixo da Lei mosaica. (Efésios 2,15; Colossenses 2,14-15) Se você for cristão, certamente não fará marcas no seu corpo — mesmo que temporárias — que lembrem o paganismo ou a adoração falsa. — 2 Coríntios 6,15-18.
Riscos à saúde
Existem também riscos à saúde que você deve levar em conta. O Dr. Robert Tomsick, professor-adjunto de dermatologia, comenta: “Tatuar é, na verdade, perfurar a pele e introduzir uma substância pigmentada naquela região. Mesmo que a agulha penetre apenas alguns milímetros, ainda assim há o risco de infecção por bactérias ou vírus. Eu acho que [fazer tatuagens] é, de forma geral, algo arriscado.” O Dr. Tomsick continua: “Uma vez que o pigmento está dentro da pele, mesmo que não ocorra a infecção, sempre há o risco de alergias de contato, dermatite e reações alérgicas, que podem provocar a irritação da pele, inchaço, descamação ou prurido.”
Apesar do caráter permanente das tatuagens, diversos métodos são usados para tentar removê-las: aplicação de laser (feixe de luz), cirurgia (incisão), dermabrasão (lixamento da pele com uma escova de arame), salabrasão (uso de uma solução de sal para embeber a pele) e escarificação (emprega-se uma solução de ácido para criar uma cicatriz no lugar da tatuagem). Todos esses métodos são caros e podem ser dolorosos. “Dói mais a remoção da tatuagem com laser do que a aplicação dela na pele”, comenta a revista Teen.
O que os outros vão pensar?
Você também deve levar em conta como os outros vão reagir caso o vejam com uma tatuagem, pois a reação das pessoas pode ser negativa. (1 Coríntios 10,29-33) Num ímpeto, Li, uma taiwanesa, fez uma tatuagem quando tinha 16 anos. Agora ela tem 21 e trabalha num escritório. “Meus colegas de trabalho ficam olhando para a tatuagem e isso me incomoda”, admite Li. O britânico Theodore Dalrymple, profissional de saúde mental, comenta que para muitas pessoas, as tatuagens “são frequentemente um sinal visível de que um homem . . . pertence a uma subcultura violenta, cruel, antissocial e considerada criminosa”.
Um artigo na revista American Demographics observou de maneira similar: “É claro que a maioria dos norte-americanos considera perigoso ter algum tipo de decoração corporal. Oitenta e cinco por cento [dos jovens] concordam com a afirmação de que ‘aqueles que têm uma tatuagem visível . . . devem ter em mente que essa forma de autoexpressão provavelmente vai criar obstáculos em sua carreira profissional ou em seus relacionamentos pessoais’.”
Avalie também se o fato de fazer uma tatuagem vai realçar ou rebaixar sua condição de cristão. Será que isso seria uma ‘causa de tropeço’ para outros? (2 Coríntios 6,3) É verdade que alguns jovens fizeram tatuagens em partes escondidas do corpo e talvez seus pais nem saibam disso. Mas cuidado! Uma ida de emergência ao médico ou o simples fato de ter de tomar banho no colégio pode revelar o seu segredo a todos! É melhor ‘comportar-se honestamente em todas as coisas’ para não ficar decepcionado por coisas tolas. — Hebreus 13,18.
Assim como todos os modismos, com o tempo as tatuagens podem não ser mais tão apreciadas. Na verdade, existe alguma peça de roupa de que você gosta muito — jeans, camisa, vestido ou sapatos — que estaria disposto a usar pelo resto da vida? É claro que não! Estilos, modelos e cores mudam. Diferente de uma peça de roupa, a tatuagem não sai facilmente. Além do mais, o que é “legal” para você aos 16 anos pode não ser mais quando tiver 30.
Muitos já se arrependeram de ter feito mudanças permanentes na aparência. “Eu fiz uma tatuagem antes de conhecer a Deus”, relata Amy. “Tento mantê-la escondida. Quando alguém na Igreja a vê por acaso, fico constrangida.” Qual é o ponto, então? É melhor pensar antes de se tatuar. Não tome nenhuma decisão da qual se arrependerá depois.
http://logosapologetica.com/opiniao-do-logos-tatuagens-sao-erradas/

quarta-feira, 6 de março de 2013

Separatismo e conflitos culturais no Século XXI

Em seu livro From Dawn to Decadence, lançado em 2001, o historiador Jacques Barzun afirmou que o separatismo seria uma "forte tendência" do século XXI.  Ele forneceu vários exemplos ilustrando que "a maior criação política do Ocidente, o estado-nação, estava seriamente afetada."
Entre outros exemplos, Barzun citou os esforços dos bascos e dos alsacianos por uma maior independência em relação à França; o desejo de independência da Córsega; as guerras civis na Irlanda do Norte, na Argélia e no Líbano; os espanhóis bascos lutando para se separar da Espanha; o colapso da União Soviética em vários territórios menores e os problemas da Rússia com a Chechênia; as brigas dos governos turcos e iraquianos com os separatistas kurdos; os zapatistas rebeldes do México; as demandas periódicas de Quebec por mais autonomia em relação ao governo canadense; e os conflitos étnicos e religiosos nos Bálcãs.  Com efeito, ao redor de todo o mundo, encontramos evidências de estados-nação sendo fragilizados e se debatendo contra movimentos separatistas.
Nos EUA, a força de tais movimentos nunca esteve tão evidente quanto atualmente.  Foi possível testemunhar a divisão do país durante a última eleição presidencial, na qual os densos conglomerados urbanos da região leste se contrapuseram às amplas comunidades do centro e do meio-oeste do país.  Vários movimentos separatistas estão aflorando no Texas.  O que antes se manifestava timidamente, hoje já se mostra mais explicitamente.  A eleição americana simplesmente salientou todas as diferenças políticas profundamente incompatíveis em relação a uma ampla gama de questões.
Em termos globais, embora haja forças neutralizantes que visam a contrabalançar tendências separatistas — por exemplo, os esforços de entidades governamentais internacionais como a União Europeia ou as Nações Unidas —, estas forças conseguem no máximo mascarar toda a turbulência inerente a um arranjo que tenta forçosamente integrar pessoas com visões políticas conflitantes. 
A questão é que, assim como a intervenção estatal na economia faz com que capital e outros recursos escassos sejam investidos de forma errônea e insustentável, a intervenção estatal em outros aspectos sociais de nossas vidas também gera fissuras políticas e cria relações antagonistas entre vários grupos distintos, uma vez que cada grupo almeja objetivos diferentes e muitas vezes contraditórios.  Seria correto dizer que a intervenção estatal em nossas vidas cria uma situação exatamente igual àquela descrita por Auberon Herbert no final do século XIX:
Sob uma organização política centralizada, você forçosamente mistura todos os tipos de indivíduos, os semelhantes e os completamente opostos, e os obriga a atuar e a falar por meio de um mesmo representante político.
As consequências desta mistura não-natural já eram nítidas àquela época.  Atualmente, as subdivisões dentro da sociedade aumentaram.  Além do eterno conflito entre pagadores de impostos e consumidores de impostos, há agora também o novo conflito entre os "cidadãos opressores" e os vários grupos vitimistas, que se autodenominam 'minorias oprimidas'.  Não importa o que um cidadão faça ou como ele aja: suas características étnicas e raciais, bem como suas preferências sexuais e ideológicas irão automaticamente classificá-lo em um destes dois grupos.  No final, tudo se resume ao mesmo objetivo: um grupo querendo viver à custa do outro; um grupo querendo confiscar a renda do outro; um grupo querendo tolher a liberdade do outro em prol de seus "direitos".
É evidente que até mesmo o mais justo, imparcial e ponderado indivíduo irá inevitavelmente se tornar intolerante se você colocá-lo em uma situação na qual ele possui apenas duas opções desagradáveis: devorar ou ser devorado. 
Como fazer com que volte a ser possível que um indivíduo mantenha suas convicções e ainda assim seja completamente tolerante a tudo o que seu vizinho diz ou faz?  E como fazer com que este seu vizinho tenha o mesmo comportamento?
A política cria um arranjo em que, nas palavras do poeta Longfellow, "o homem tem de ser ou a bigorna ou o martelo".  Assim, uma vasta máquina política é criada com o intuito de representar uma ampla variedade de interesses, cada qual fazendo de tudo para sobrepujar os interesses dos outros grupos.
À medida que o estado-nação cresce, essa mistura de semelhantes e opostos vai se tornando cada vez mais problemática.  Aqueles grupos que possuírem mais conexões políticas irão utilizar o estado para seus interesses próprios, o que inevitavelmente significa a opressão dos grupos opostos.  Vai se tornando cada vez mais difícil, se não impossível, reconciliar as diferenças dentro de um mesmo território.  O estado-nação se torna um instável composto de pluralidades, incapaz de formar aquela maioria contente que é quem dá a liga à sociedade de um país.  É neste solo pantanoso que as sementes do separatismo prosperam.
A ideia de que o tamanho do governo possui limites naturais que não podem ser excedidos — pois isso desencadearia as forças do separatismo — é similar à ideia misesiana de que o socialismo é impossível.  A tradição misesiana sempre afirmou que o socialismo é impossível.  A incapacidade de um sistema socialista de fazer cálculos econômicos — ou, em outras palavras, sua incapacidade de determinar lucros e prejuízos — torna a economia incapaz de incorrer nos mais básicos processos de produção.  Sendo incapaz de racionalmente escolher os meios disponíveis com os quais alcançar os fins desejados, uma economia puramente socialista (isto é, uma na qual o governo é o proprietário dos meios de produção) se dissolveria no mais completo caos.
(A longeva existência da velha União Soviética e de outros países socialistas pode ser explicada pelo fato de que seus planejadores centrais recorriam aos preços de mercado utilizados pelos países capitalistas ao redor do mundo.  O experimento soviético também foi mantido vivo pelo vibrante mercado negro que subsistia em paralelo à economia oficial.  Ironicamente, o socialismo só conseguiu se manter operante — e muito longe daquele esplendor teórico prometido — por causa da existência daqueles mesmos mercados que os socialistas haviam jurado abolir).
Parece verossímil que, assim como o governo não é capaz de calcular no que tange a recursos econômicos, ele também não é capaz de calcular no que diz respeito a decidir aspectos não-econômicos da vida social dos cidadãos.  As diferenças fundamentais entre os vários indivíduos da população fazem com que o problema seja insolúvel; as pessoas sempre serão forçadas a apoiar políticas ou a fazer certas coisas que em outras circunstâncias não apoiariam ou não fariam.  Porém, assim como uma economia socialista como a União Soviética tinha seus mercados negros e recorria a pontos de referência nas economias de mercado de todo o mundo, as pessoas coagidas por um estado-nação também podem se organizar e alterar este arranjo, readquirindo algumas liberdades individuais e com isso tornando sua vida mais suportável.
O que é possível fazer?  O que pode ser feito quando suas liberdades individuais estão cada vez mais oprimidas, tanto em termos econômicos quanto em termos sociais?
Um arranjo viável e eficaz já no curto prazo é a descentralização.  O federalismo pleno.  Plena autonomia local em relação ao governo federal.  Isso pode não ser fácil de ser alcançado, pois exige organização política, muita persistência e, acima de tudo, uma fatia da população educada nos princípios da liberdade.  Trata-se de uma tarefa bastante árdua.  O objetivo é simples, mas sua implementação é trabalhosa.  No entanto, vale ressaltar, não há outro arranjo que possa ser efetivado em um prazo humanamente suportável. 
Do nosso lado, ajudando a ganhar adeptos para a causa, temos o fato de que a experiência e toda a história intelectual do liberalismo comprovam que um governo descentralizado é o arranjo mais compatível com as aspirações de longo de prazo para a liberdade.
Por que a postura em prol da descentralização?  Há vários motivos.
Primeiro: em um arranjo descentralizado, as jurisdições têm de concorrer entre si para atrair residentes e capital.  Isso fornece algum incentivo para maiores graus de liberdade, nem que seja porque o despotismo em nível local não é nem popular e nem produtivo.  Se os déspotas ainda assim insistirem em ser totalitários, as pessoas e o capital sempre poderão sair dali e ir para outra jurisdição.  Por outro lado, se há apenas uma vontade soberana e uma grande máquina burocrática e autoritária para impingir esta vontade, você não tem para onde correr.
Segundo: quanto mais perto estão das pessoas, menos ruins e menos opressoras tendem a ser as leis.  E sob estas condições é mais propício haver um genuíno 'poder emanando do povo'.  Mesmo que isso não ocorra, pequenas unidades de governo permitem que as pessoas se locomovam de uma jurisdição para outra.  Essa concorrência entre jurisdições leva todo o sistema a um maior grau de liberalização.  Capital e mão-de-obra irão para as áreas que permitem mais liberdade, uma vez que jurisdições despóticas afugentam riqueza e talento.
Terceiro: o localismo internaliza a corrupção, de modo que ela passa a ser mais rapidamente descoberta e extirpada.  Sob esta mesma perspectiva, a corrupção de um governo local pode ser até benigna em comparação à corrupção federal: é mais fácil, tendo uma renda apertada, subornar um guarda que vai lhe dar uma multa de trânsito a subornar todo o DENATRAN.
Quarto: a tirania em nível local minimiza os estragos na mesma intensidade que a tirania em nível macro a maximiza.  Se Hitler governasse somente Berlim, Stalin somente Moscou e Franklin Roosevelt somente Washington, os efeitos de suas políticas dementes poderiam ter sido contidos.  E isso não é uma consideração meramente utilitarista, pois significa que pessoas más são impedidas de violar os direitos das outras pessoas que estão fora de sua jurisdição.
Quinto: não é possível crer que algum governo utilizará seus poderes para intervir de forma sensata.  Gozando de tamanha concentração de poder, governos centralizados irão sempre invocar bons motivos para suas medidas, mesmo que tais motivos sejam uma mera camuflagem para se adquirir ainda mais poder e controle sobre a vida da população.  O roteiro típico é mais ou menos assim: o governo se autoconcede um determinado poder para intervir em um arranjo voluntário — por exemplo, nas relações trabalhistas entre empregadores e empregados.  Tal medida é imediatamente celebrada pelos progressistas como sendo sensata e necessária.  Porém, tão logo este poder é adquirido pelo governo, ele é utilizado para impor legitimidade a todo tipo de planejamento central, impedindo os governos locais de adotar legislações próprias (por exemplo, localidades mais pobres não podem revogar o salário mínimo, o que leva ao desemprego da mão-de-obra menos produtiva).
Sexto: uma pluralidade de formas de governo — uma "separação vertical de poderes" — impede que o governo central acumule poder excessivo.  Governos locais são compreensivelmente ciosos e zelosos quanto à sua jurisdição, e tendem a resistir a investidas hostis do governo central.  Isso é ótimo.  Com efeito, toda a história da liberdade está ligada aos gloriosos resultados gerados por estruturas institucionais concorrentes, sendo que em momento algum se pode confiar a alguma delas o completo controle sobre uma determinada área.
Apenas para deixar claro, tudo isso que foi dito não implica que libertários devem ser agnósticos em relação à questão de como deve ser o governo.  As leis devem proteger o indivíduo e sua propriedade contra qualquer tipo de agressão.  Este princípio tem de ser seguido em todas as épocas e em todos os lugares.  Mas isso não significa que deve haver um único legislador.  Para maximizar as chances de que as boas leis prevalecerão sobre as ruins no longo prazo, e impedir tomadas de poder desde cima, é necessário haver uma multiplicidade de formas jurídicas.
Murray Rothbard costumava recorrer a uma ótima frase para resumir esta posição: direitos são universais, mas devem ser impingidos localmente.  Esses dois princípios frequentemente estão em conflito.  No entanto, se você abrir mão de um deles, estará colocando toda a sua liberdade em risco.  Ambos são importantes.  Nenhum deve prevalecer sobre o outro.  Um governo local que viola direitos é intolerável.  Um governo central que governa em nome dos direitos universais é igualmente intolerável.  O paraíso seria direitos universais localmente impingidos.  Não, isso ainda não existe.  Mas é por isso que os libertários existem: para trabalhar em prol deste ideal.
Por fim, existe uma outra forma de descentralização sobre a qual você certamente ouve bastante.  Ela é frequentemente defendida por aqueles que vociferam contra todas as formas atuais de globalização, especialmente na forma de corporações multinacionais.  Eles reclamam da centralização da vida moderna e sentem nostalgia dos tempos antigos.  Eis o problema: esse tipo de centralização que eles lastimam é resultado de decisões voluntárias tomadas no mercado.  Trata-se de uma centralização livremente escolhida.  Os planos destas pessoas para fazer retroceder essa centralização iriam requerer uma maciça coerção e iriam produzir acentuadas calamidades econômicas.
No que diz respeito a associações voluntárias e economia de mercado, libertários não podem tomar uma decisão a priori sobre qual seria a melhor maneira de organizar este arranjo.  Rothbard defendia corporações multinacionais e o livre comércio global, mas ele também sabia que uma integração excessiva da estrutura de produção é ruim para os negócios.  As empresas perdem a capacidade de calcular seus lucros e prejuízos quando elas se tornam responsáveis por grande parte da produção interna de seus próprios bens de capital.  No extremo, se uma única empresa fosse a proprietária de todos os meios de produção, ela estaria sujeita ao mesmo tipo de caos calculacional que aflige uma economia socialista.  Sua incapacidade de alocar recursos racionalmente rapidamente levaria a prejuízos.
Qual o impacto que esse raciocínio gera sobre a organização de outras instituições da sociedade, como a igreja, a família, as associações civis e os movimentos ideológicos?  É melhor a centralização ou a descentralização?  A resposta deve ficar por conta da experiência.  A Igreja Católica é doutrinariamente centralizada, mas descentralizada administrativamente.  A família, entre as gerações, não é centralizada.  Os avós estão lá para dar conselhos e serem amados, e não para administrar e dar ordens.  Associações civis assumem vários formatos, desde associações nacionais até clubes locais.
Na vida intelectual, precisamos de uma vasta multiplicidade de mecanismos que impeçam a corrupção e a concessão a ideias estatizantes.  Mesmo no movimento libertário é necessário haver diversidade e experimentações, e não centralização, comando e controle.
Na gerência de empreendimentos, na organização de ideias e nas ponderações sobre a própria vida, é recomendável ter equilíbrio e temperança.  Sendo assim, podemos articular estes dois princípios.  Nas questões públicas, precisamos de direitos universais localmente impingidos.  Nas questões privadas e econômicas, não precisamos nem de centralização nem de descentralização, mas de equilíbrio e temperança, tentativa e erro.  Em minha visão, essas formulações representam o ápice do pensamento virtuoso, das boas leis e da sociedade próspera.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1535

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cemitério de Colônia

No início do século 19, foram trazidos por iniciativa do governo imperial, colonos europeus para este país imenso que é o Brasil. No oeste, sul e norte, para ocupação de terras como meio de defesa contra os invasores. E em São Paulo, principalmente para a substituição de escravos cujo comércio e importação tornava-se cada vez mais complicado.
Descobriu-se que os colonos europeus adaptavam-se melhor com a cultura e produção de café.
As primeiras 232 famílias desembarcaram sem anuência do governador da província, em Santos no dia 13 de dezembro de 1827. Devido a este fato, foram mal recebidos e mal alojados. Posteriormente, 129 famílias com origem em Hunsrück (Alemanha), concordaram com seu assentamento numa região chamada Parelheiros, distante 43 km da vila de Santo Amaro. Este assentamento recebeu o nome de Colônia (Colônia Velha.).
Terra inadequada para a agricultura, localizada na serra do mar com clima, estrada e caminhos ruins ou inexistentes, vizinhança de índios, longe do centro consumidor mais próximo. Estas eram as principais características da região.
Vieram sem professores, religiosos ou médicos. Dizimados por doenças desconhecidas, muitos migraram para São Paulo. No isolamento, sem falar a língua nativa, falando um dialeto alemão difícil de ser entendido, estes colonos originalmente evangélicos luteranos foram perdendo gradativamente a identidade, a língua, a religião, os costumes e a cultura de origem.
Devido ao isolamento, já em 1829, instalaram um cemitério. Em 1842 fundaram uma associação com nome de “Associação Kaerchhof”, a qual solicitou, através de um ofício, que o Bispo de São Paulo benzesse o cemitério.
Nos casamentos, sepultamentos e batizados, um ancião em liturgia cantada, rezava a partir de um velho cancioneiro de igreja, editado em Hamburgo em 1823, entoando uma canção alusiva ao evento, sem mesmo entender as palavras pronunciadas.
Durante a segunda guerra mundial, o cemitério permaneceu fechado. Em 1966 foi encampado pela Municipalidade e impedido de funcionar. A Colônia, Entidades e Associações de origem alemã, junto com os remanescentes dos colonos empenharam-se para a devolução e reabertura do Cemitério.
A Associação Cemitério dos Protestantes comprometeu-se em promover a restauração do cemitério e o assentamento de um monumento alusivo, construir a infra-estrutura, velórios e assumir a administração.
A fim de tornar o cemitério auto-suficiente, a Associação Cemitério dos Protestantes adquiriu um terreno adjacente, sobre o qual foram construídos velórios, administração, sanitários e outras áreas auxiliares, sobrando espaço suficiente para a ampliação do cemitério.
Em 18 de novembro 2000 o Cemitério de Colônia reiniciou oficialmente as suas atividades.
E em 27 de outubro de 2001, com a presença de muitas autoridades, foi celebrada a reabertura do Cemitério de Colônia em uma  belíssima solenidade acompanhada de um culto ecumênico.
Na placa comemorativa do monumento de reabertura do cemitério consta a inscrição de autoria do saudoso Sr. Helmuth Maximilian Franz Bremberger, morador e um grande defensor da revitalização do Bairro de Colônia:

Viemos pelo mar
Para trás ficaram:

Amigos, familiares

Gente que amamos,
Ficou nosso lar.
Viemos de muito longe
Povoar prados virgens.
Viemos para ficar;
Criar nossos filhos,
Trabalhar!
Construir,
Ombro a ombro
Com todos que aqui encontramos,

Uma grande nação...

                                         Nossa Pátria
18 de Junho de 1829 / 18 Novembro de 2002
http://www.acempro.com.br/unidade_detalhe.cfm?id=4

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Washington aposta no comunista Zyuganov

Há pouca dúvida que Washington prefere Vladimir Putin não ganhar as presidenciais, mesmo que isso signifique uma restauração comunista, acredita o diretor do Instituto Americano na Ucrânia e consultor na advocacia pública internacional e nos assuntos governamentais, Anthony T. Salvia, num artigo publicado no jornal The Jerusalem Post. Respondendo à pergunta feita  por ele mesmo: "Quem prefere Washington?  Putin ou Zyuganov", o autor opta claramente pelo líder do Partido Comunista, Gennadi Zyuganov.

" Washington tem a intenção de deslegitimar o actual governo russo, mesmo que isso resulte em um regime comunista", disse. "Onde Geoestratégia está em causa, a Rússia deve ser estrategicamente limitada e, assim, reduzida por meio de desmembramento (o modelo jugoslavo), ou mudada através de uma revolução laranja que leve à criação de um regime aliado no Kremlin (o modelo ucraniano). Afinal, é impossível cercar completamente a China (claramente é um objectivo dos EUA geoestratégico, tendo em conta o envio recentemente anunciado das forças americanas para a Austrália), se primeiro não certificarmos uma completa submissão da Rússia", disse.

Neste sentido, segundo Salvia o único que possa competir com Putin na eleição, é Gennadi Zyuganov, o líder do segundo poder político na Rússia, que recebeu quase 20 por cento dos votos nas últimas eleições parlamentares e aumentou significativamente a presença do partido na Duma de Estado. Neste caso, o autor está ciente do fato de que Zyuganov, é claro, é uma figura de transição, e Washington vai usar a sua vitória nas eleições "para alcançar a meta de longo prazo para bloquear Rússia com o objectivo de eliminá-la da arena mundial como um jogador independente ".
Salvia não tem nenhuma dúvida na capacidade de retirar em seguida o líder comunista. "No caso (improvável) de Zyuganov vencer em março, Washington poderia juntar o apoio entre o público americano e seus aliados europeus (incluindo Geórgia e Ucrânia -Red) contra os interesses russos, apontando à ameaça vermelha", disse.

De acordo com o analista político Serguei Markov, os americanos não pela primeira vez publicamente manifestam o seu apoio para Zyuganov. Em março deste ano, conhecido por suas declarações antirussos, vice-presidente americano, Joe Biden, se reuniu em Moscou com representantes do Partido Comunista. "Eu, quando vim nos anos 70 à URSS, nem podia imaginar que um dia iria apoiar os comunistas e desejar que ganhem ..., disse Biden, segundo Markov. Markov explicou que o problema não é tanto Zyuganov, como Putin.

"Elites americanos querem derrotar Putin, e eles não se importam em quem vai lhe causar danos. Eles não gostam que Putin representa a consolidação das forças antiamericanas, então estão dispostos a usar qualquer um, para atacar Putin. E embora sejam muito negativos a próprio Zyuganov, estão esperando de lidarem com isso mais tarde"- disse Markov ao Pravda. Ru .

"O sistema global mundial assinou a Putin uma sentença de morte. E o fato de que os analistas americanos chegaram a uma discussão séria sobre apoio de Zyuganov, cuja ideologia é mais antiocidental do que a de Putin, significa que os americanos prestam pouca atenção às palavras, mas muita aos actividades. Putin enfrentou bem o colapso da Rússia, está retornando com uma agenda patriótica, retendo a onda interna da propaganda pró-americana, realizada por agentes de influência, e não lhes faz concessões. É por isso que a sua volta é um grande desafio para os Estados Unidos e o mundo ocidental", comentou ao Pravda. Ru outro analítico, líder do Movimento Internacional a favor da União Euroasiática, Aleksandr Dugin.

Lyuba Lulko

Pravda.Ru.


Pravda.Ru

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Japão cria aliança visando barrar influência chinesa

Segundo a mídia local, o governo japonês aprovou uma decisão que prevê doar vários navios-patrulha às Filipinas. As embarcações, as quais custam cada uma cerca de 11 milhões de dólares, terão como missão monitorar as atividades da China em águas do mar da China Meridional.

Observadores apontam a urgência com que o governo nipônico decidiu incluir o custo de navios-patrulha no Orçamento do Estado para o ano em curso, o que sugere que Tóquio está muito preocupado com a evolução do litígio territorial com a China.
Ante o agravamento, nos últimos meses, da disputa sobre as ilhas Diaoyu (Senkaku), o Japão toma medidas com vista a reforçar suas posições na área das ilhas. Dentro da estrutura da Guarda Costeira está sendo criada uma unidade especial permanente responsável pela defesa das ilhas do mar da China Oriental, consideradas por Pequim territórios chineses ilegalmente ocupados. Já no exercício corrente, Tóquio programa encomendar para o novo destacamento seis navios-patrulha de mil toneladas de deslocamento cada um. Além disso, nos próximos meses, serão modernizados dois patrulheiros de grande porte já disponíveis.
Ao mesmo tempo, o Japão está procurando aliados. Os passos no sentido de reforçar a cooperação defensiva com seu aliado tradicional, Estados Unidos, o Japão combina com desenvolvimento de relações com vizinhos, especialmente aqueles que também estão preocupados com o incremento do poder naval da China.
Em janeiro deste ano, durante uma visita a Manila, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida, em várias ocasiões enfatizou que os dois países têm um interesse comum no fomento da segurança regional da Ásia-Pacífico. É de notar que a segurança marítima foi um dos temas centrais das conversações entre os chanceleres do Japão e das Filipinas. As Filipinas, na opinião de Tóquio, são um aliado natural, pois vêm disputando com a China os direitos sobre as Ilhas Spratly (Nansha) situados no Mar da China Meridional, ressalta Valeri Kistanov, especialista em temas do Japão do Instituto do Extremo Oriente pertenecente à Academia das Ciências da Rússia:
"O Japão pretende criar uma espécie de coalizão para dissuadir a China na Ásia Oriental. Para o efeito, está sendo explorado o fato de a China ter litígios territoriais também com as Filipinas, o Vietnã e a Malásia. O Japão acredita que deve ajudar os referidos países a fazer frente à estratégia de ofensiva marítima da China."
Durante o último período, o Japão vem incrementando a cooperação com o Vietnã, a qual também tem conotações anti-chinesas, assinalou o perito. De acordo com a mídia japonesa, a Guarda Costeira do país planeja promover treinamento para o pessoal vietnamita e filipino engajado no patrulhamento de áreas marinhas. Portanto, a região dos mares da China Oriental e da China Meridional está se convertendo em cenário de aguda confrontação, o que é singularmente perigoso porque até o momento nenhuma das partes envolvidas em disputas territoriais não propôs qualquer plano de resolução do conflito que seja aceitável para outros, ao menos como base da negociação. No entanto, tudo está evoluindo segundo um roteiro que lembra a "guerra fria", em que cada bloco estava empenhado em fortalecer suas posições e recrutar novos aliados.